quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A mudança de paradigma requer clareza quanto à base moral: o veganismo

Postado por Gary L. Francione em seu blog em 9 de janeiro de 2012

Se for para vermos uma mudança de paradigma um dia, temos de ser claros quanto a como queremos que o atual paradigma mude.
Devemos dizer claramente que o veganismo é a base inequívoca de qualquer coisa que mereça ser chamada de “movimento pelos direitos animais”. Se “direitos animais” significar alguma coisa, significa que não podemos justificar moralmente nenhuma exploração animal; não podemos justificar tratar os animais como recursos dos humanos, por mais “humanitário” que possa ser o tratamento dado aos animais.
Devemos parar de pensar que as pessoas vão achar o veganismo “desanimador” e que temos de promover algo aquém do veganismo. Se explicarmos claramente as ideias morais e os argumentos a favor do veganismo, as pessoas vão entender. Talvez nem todas se tornem veganas imediatamente; de fato, a maioria não se tornará. Mas devemos sempre ser claros quanto à base moral. Se, para mudar gradualmente, uma pessoa quiser fazer menos do que ser vegana, deixemos que isso seja uma decisão dela, e não algo que aconselhemos a fazer. A base moral deve ficar sempre clara. Nunca devemos promover a exploração “feliz” ou “humanitária” como moralmente aceitável.
A noção de que devemos promover a exploração “feliz” ou “humanitária” como “pequenos passos” ignora que as reformas do bem-estar não resultam num aumento significativo da proteção dos interesses dos animais; de fato, na maioria das vezes, as reformas do bem-estar não fazem nada além de tornar a exploração animal mais produtiva economicamente, ao focar em práticas que são ineficientes em termos econômicos, como as celas de gestação de porcas, o atordoamento elétrico de frangos ou as baias para vitelos. As reformas do bem-estar tornam a exploração animal mais rentável ao eliminar as práticas que são economicamente vulneráveis. Em geral, essas mudanças acabariam acontecendo de todo modo, e mesmo sem as campanhas bem-estaristas, precisamente porque corrigem ineficiências no processo de produção. E as reformas do bem-estar deixam o público mais à vontade quanto à exploração animal. O movimento pela carne/produtos animais “felizes” é uma prova bem clara disso.
Nós nunca defenderíamos o estupro, a escravidão humana ou o genocídio “felizes” ou “humanitários”. Portanto, se acreditamos que os animais importam moralmente e que eles têm interesse não apenas em não sofrer como também em continuar existindo, não devemos ficar investindo nosso tempo e nossa energia na defesa da exploração animal “humanitária” ou “feliz”.
As reformas do bem-estar e todo o movimento pela exploração “feliz” não são “pequenos passos”. Eles são passos grandes – para trás.
Alguns defensores dos animais acham objetável afirmar que o veganismo é a base moral porque isso “julga” as pessoas, ou constitui um julgamento de que o veganismo é moralmente preferível ao vegetarianismo e uma acusação de que os vegetarianos (ou outros consumidores de produtos animais) são pessoas “más”. Sim para a primeira parte; não para a segunda. Não há nenhuma distinção coerente entre a carne e os outros produtos animais. É tudo a mesma coisa e não podemos justificar o consumo de nada disso. Dizer que você não come carne mas come laticínios ou ovos ou qualquer outro produto animal, ou que você não veste peles mas veste couro ou lã, é como dizer que você come carne de vacas malhadas mas não de vacas marrons; não faz nenhum sentido. A suposta “linha” divisória entre a carne e todo o resto é apenas uma fantasia – uma distinção arbitrária feita para possibilitar que alguma exploração seja segmentada e considerada “melhor” ou moralmente aceitável. Isto não é uma condenação dos vegetarianos que não são veganos; é, no entanto, um apelo para que essas pessoas reconheçam que suas ações não estão de acordo com um princípio moral que elas dizem aceitar, e que todos os produtos animais são o resultado da imposição de sofrimento e morte a seres sencientes. Não é uma questão de julgar indivíduos; é, no entanto, uma questão de julgar práticas e instituições. E esse é um componente necessário de um viver ético.
Se considerarmos impossível avaliar que o veganismo é moralmente preferível ao vegetarianismo porque “cada um de nós tem sua própria jornada”, então a avaliação moral se torna uma coisa completamente impossível ou especista. Torna-se impossível porque, se “cada um de nós tem sua própria jornada”, então não há nada a dizer ao racista, ao sexista, ao antissemita, ao homófobo, etc. Se dissermos que essas formas de discriminação são moralmente más, mas no que diz respeito aos animais “cada um de nós tem sua própria jornada” e não podemos fazer avaliações morais quanto a, por exemplo, o consumo de laticínios, então estamos sendo especistas e não estamos aplicando, aos não humanos, a mesma análise moral que aplicamos no contexto humano.
Ao discutir o veganismo com os vegetarianos ou outros consumidores de produtos animais, nunca devemos transmitir a mensagem de que os consideramos gente “má”. Em vez disso, devemos focar em como qualquer forma de exploração animal é incoerente com o princípio moral que eles mesmos dizem ter: ou seja, que os animais são membros da comunidade moral e que a imposição de sofrimento e morte a qualquer membro dessa comunidade – humano ou não humano – requer uma justificativa convincente. E preferências de paladar, conveniência, senso de moda, etc. não constituem uma justificativa convincente.
Finalmente, devemos sempre deixar claro que a exploração animal é uma coisa errada porque implica especismo. E o especismo é errado porque, como o racismo, o sexismo, a homofobia, o antissemitismo, a discriminação de classe e todas as outras formas de discriminação humana, envolve violência contra membros da comunidade moral onde essa violência não pode ser justificada moralmente. Mas isso significa que aqueles dentre nós que se opõem ao especismo também se opõem, necessariamente, à discriminação contra humanos. Não faz sentido dizer que o especismo é errado porque é como o racismo (ou qualquer outra forma de discriminação) mas que não temos uma posição quanto ao racismo. Temos sim. Devemos nos opor ao racismo e devemos sempre ser claros quanto a isso.
Veganismo se trata de não violência. Trata-se de não causar dano aos outros seres sencientes, a si mesmo e ao meio-ambiente do qual todos os seres dependem para viver. Na minha opinião, o movimento de direitos animais é, em seu âmago, um movimento pelo fim da violência contra todos os seres sencientes. É um movimento que busca justiça fundamental para todos. É um movimento emergente pela paz que não para na linha arbitrária que separa os humanos dos não humanos. Mudar o paradigma hierárquico de exploração generalizada que vem dominando o mundo por milênios requer muito trabalho duro. E esse trabalho duro requer clareza.
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Se você não for vegano(a), por favor considere tornar-se vegano(a). É uma questão de não violência. Ser vegano(a) é a sua declaração de que você rejeita a violência contra os outros seres sencientes, contra si mesmo(a) e contra o meio-ambiente do qual todos os seres sencientes dependem.
Gary L. Francione
Professor, Rutgers University
© 2012 Gary L. Francione
Tradução: Regina Rheda
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sábado, 7 de janeiro de 2012

Direitos animais, bem-estar animal e a analogia com a escravidão

Postado por Gary L. Francione em seu blog em 4 de janeiro de 2012

Muitos veganos ficam irritados com os não veganos que dizem se importar moralmente com os animais mas continuam a consumi-los. Os veganos frequentemente invocam uma analogia com a escravidão humana. É assim: todos nós concordamos que o uso de humanos exclusivamente como recursos—a condição conhecida como escravidão humana—é moralmente detestável. Similarmente, se as pessoas acham que os animais são membros da comunidade moral, então também não deveriam estar tratando os animais exclusivamente como recursos, e deveriam se opor à sua escravidão. E se alguém se opõe à escravidão animal, esse alguém adota e promove o veganismo.
A analogia funciona?
Sim e não. A analogia da escravidão, que venho usando há duas décadas, não é particularmente convincente se o que se afirma é que os não humanos, ao contrário dos escravos humanos, têm interesse apenas em não sofrer e não têm interesse na vida continuada ou em autonomia. E essa é uma crença central da posição bem-estarista que vem desde Bentham—a de que os animais têm a capacidade de sofrer e têm interesse em não sofrer, mas são cognitivamente diferentes de nós, pois não são autoconscientes e não têm interesse na existência continuada. Em outras palavras: os bem-estaristas afirmam que os animais não têm interesse em não ser escravos; eles têm apenas interesse em ser escravos “felizes”. Essa é a postura promovida por Peter Singer, cuja visão neobem-estarista deriva diretamente de Bentham. Portanto, segundo essa postura, não importa, moralmente, que usemos os animais, mas importa como os usamos. A questão moral não é o uso, mas o tratamento.
Junte-se a isso o fato de que a maioria dos bem-estaristas são utilitaristas—eles afirmam que o que determina o certo ou o errado é aquilo que maximiza o prazer, a felicidade, ou a satisfação de interesses de todos os afetados—e você acaba ficando com a opinião de que, contanto que um animal não sofra “demais”, e dado que o animal não tem interesse na própria vida, é melhor ele ter tido uma vida razoavelmente agradável e ido parar nos pratos dos humanos do que não ter sequer vivido. Se oferecermos uma vida razoavelmente agradável e uma morte relativamente indolor aos animais, na realidade lhes conferimos um benefício trazendo-os à existência e usando-os como nossos recursos.
Portanto, é compreensível que, se a pessoa é bem-estarista, ela não aceita a analogia com a escravidão. A escravidão “feliz” não é um problema; é uma coisa boa. O problema da escravidão humana é que mesmo as formas “humanitárias” ou “compassivas” de escravidão violam os direitos humanos fundamentais à existência continuada, à autonomia, etc. Mas se os animais não têm esses interesses, então a escravidão “humanitária” ou “compassiva” pode ser exatamente aquilo de que se precisa. E é justamente esse modo de pensar que motiva o movimento pela carne/produtos animais “felizes” e toda a iniciativa bem-estarista de tentar tornar o uso de animais mais “humanitário”, mais “compassivo”, etc.
Tenho argumentado que esse modo de pensar é problemático sob ao menos dois aspectos:
Primeiro, a noção de que os animais não humanos não têm interesse na existência continuada—de que eles não têm interesse em suas próprias vidas—se apoia no conceito especista de qual o tipo de autoconsciência que importa moralmente. Tenho argumentado que todo ser senciente tem, necessariamente, interesse na existência continuada—todo ser senciente valoriza sua própria vida—e que dizer que só aqueles animais (animais humanos) que têm um determinado tipo de autoconsciência têm interesse em não ser tratados como mercadorias é desviar da questão moral fundamental. Mesmo se, como algumas pessoas afirmam, os animais não humanos viverem em um “presente eterno”—e eu penso que, em termos empíricos, não é esse o caso, pelo menos para a maioria dos não humanos que exploramos rotineiramente e que têm memórias do passado e um sentido de futuro—eles têm, em cada momento, um interesse em continuar a existir. Dizer que isso não conta no plano moral é simplesmente especista.
Segundo, mesmo se os animais não tiverem interesse em continuar vivos e tiverem apenas interesse em não sofrer, a noção de que, em termos práticos, algum dia seremos capazes de dar o devido peso moral a esse interesse não passa de fantasia. A noção de que os proprietários algum dia darão um peso significativo ao interesse que a propriedade tem em não sofrer simplesmente não é realista. É possível em teoria? Sim. É possível em termos práticos no mundo real? Absolutamente não. Os bem-estaristas frequentemente falam em tratar os “animais de granja ou fazenda” como tratamos os cães e gatos que amamos e consideramos membros da nossa família. Será que alguém realmente pensa que isso é possível na prática? O fato de não pensarmos em comer nossos cães ou gatos é um sinal de que isso não é possível.
Além do mais, uma tese central do meu trabalho tem sido a de que como os animais são propriedade—são bens econômicos ou mercadorias—geralmente só protegemos seus interesses quando obtemos um benefício econômico ao dar essa proteção. Isso significa que o padrão de bem-estar animal sempre será muito baixo (como é agora, e apesar de todo o absurdo da exploração “feliz” ou “compassiva”), e a reformas do bem-estar geralmente aumentarão a eficiência produtiva; ou seja, protegeremos os interesses dos animais em situações onde o tratamento esteja sendo economicamente ineficiente, e, na maioria das vezes, as reformas do bem-estar farão muito pouco além de corrigir essas ineficiências. Por exemplo, o uso de celas de gestação para porcas é economicamente ineficiente; há alternativas supostamente mais “humanitárias” que na realidade aumentam a eficiência produtiva. Similarmente, asfixiar frangos com gás é mais eficiente, em termos econômicos, do que atordoá-los com choque elétrico.
Então eu compreendo por que os bem-estaristas têm um problema com a analogia da escravidão. Acho que eles estão errados sob vários aspectos, mas eles nunca discutem realmente os argumentos. Em vez disso, eles alegam que sou “divisionista” e “não ligo para os animais que estão sofrendo agora” porque apresento esses argumentos. Alguns deles fazem mais drama ainda.
O paradigma dos direitos que, conforme a minha interpretação, requer moralmente a abolição da exploração animal e exige o veganismo como uma questão de justiça fundamental, é radicalmente diferente do paradigma bem-estarista que, em teoria, foca na redução do sofrimento e, na realidade, foca em dar uma arrumadinha nas margens economicamente ineficientes da exploração animal. Na ciência, quem se alinha com um paradigma é frequentemente incapaz de entender e envolver quem se alinha com um outro paradigma, precisamente porque as linguagens teóricas que eles usam são incompatíveis.
Penso que a situação seja semelhante no contexto do debate entre os direitos animais e o bem-estar animal. E é por isso que os bem-estaristas simplesmente não podem entender ou aceitar a analogia da escravidão.
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Se você não for vegano(a), por favor considere tornar-se vegano(a). É uma questão de não violência. Ser vegano(a) é a sua declaração de que você rejeita a violência contra os outros seres sencientes, contra si mesmo(a) e contra o meio-ambiente do qual todos os seres sencientes dependem.
Gary L. Francione
Professor, Rutgers University
© 2012 Gary L. Francione
Tradução: Regina Rheda
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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Celebre a paz nas festas de fim de ano

Postado por Gary L. Francione em seu blog em 20 de dezembro de 2011

As pessoas me dizem com frequência que estão com uma sensação de derrota diante da pobreza e da violência da vida moderna.
Vivemos certamente numa época difícil e repleta de desafios. Mas isso não quer dizer que não podemos fazer uma diferença. Podemos sim.
Eis três sugestões para ajudá-lo(a) a celebrar a paz nas festas deste final de ano:
Primeiro, não consuma. Pegue o dinheiro que está pensando em gastar na compra de mais coisas de que você não precisa, e dê esse dinheiro a alguém ou alguma família que necessita de ajuda nestes tempos tão difíceis. Ou use esse dinheiro para providenciar comida vegana ou cobertores sem lã aos manifestantes do movimento Ocupe na sua cidade.
Segundo, se você não for vegano(a), torne-se vegano(a) e pare de comer, vestir ou consumir produtos de origem animal. Não há justificativa para isso. E dedique uma parte de cada dia à educação vegana criativa e não violenta. Os esforços educativos podem tomar diversas formas.
Terceiro, adote um animal sem lar. Há tantos que precisam de você. Se você não tiver espaço ou outras condições para adotar um cachorro ou um gato, adote um hamster, um coelho, ou um peixe. Algum refugiado não humano por aí se encaixará na sua vida. E se você adotar um (ou mais), estará não apenas salvando a vida de outro indivíduo, como também enriquecendo imensamente a sua.
Gary L. Francione
Professor, Rutgers University
© 2011 Gary L. Francione
Tradução: Regina Rheda
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Comentário nº 22: a Rede de Defesa da Paz e a Campanha Promessa Vegana

sábado, 26 de novembro de 2011

Matar animais e fazê-los sofrer

Postado por Gary L. Francione em seu blog em 22 de novembro de 2011

A base do movimento de bem-estar animal, desde sua origem no século 19 até hoje, é que o uso de animais, em si, é aceitável porque os animais não têm interesse em continuar a viver. Segundo os bem-estaristas, os animais não humanos não são autoconscientes e cognitivamente sofisticados à maneira dos humanos. Isso significa que as vidas dos não humanos são menos valiosas do que as dos humanos. Segundo Peter Singer:
Enquanto a autoconsciência, a capacidade de pensar adiante e ter esperanças e aspirações para o futuro, a capacidade de ter relações significativas com os outros, etc., não são relevantes para a questão de infligir dor... essas capacidades são relevantes para a questão de tirar a vida. Não é arbitrário afirmar que a vida de um ser autoconsciente, capaz de ter pensamento abstrato, de fazer planos para o futuro, de realizar atos complexos de comunicação, etc., é mais valiosa do que a vida de um ser sem essas capacidades.
Os bem-estaristas fazem uma distinção entre matar, que para eles não é moralmente objetável em si, e a imposição de sofrimento “desnecessário”, que é moralmente objetável. Se dermos aos animais uma vida razoavelmente agradável e uma morte relativamente indolor, então a nossa exploração de animais pode ser moralmente aceitável. De novo, segundo Singer:
Se é com o fato de infligir sofrimento que estamos preocupados, em vez de com o fato de matar, então eu também posso imaginar um mundo em que as pessoas comem principalmente alimentos vegetais, mas de vez em quando se dão o prazer e o luxo de comer ovos de aves criadas soltas, ou possivelmente até carnes de animais que viveram uma vida boa, em condições naturais para suas espécies, e depois foram mortos de modo humanitário na fazenda.
Foi esse tipo de pensamento que impulsionou o “movimento pelas carnes/produtos animais “felizes” que é promovido por Singer e praticamente todas as organizações grandes de defesa animal nos Estados Unidos e na Europa. Para eles, usar animais não é o problema; o problema é o sofrimento dos animais. Assim, se diminuirmos o sofrimento por meio das reformas do bem-estar, tornamos a exploração animal menos objetável moralmente. O público pode continuar a consumir animais e se sentir bem por se achar “compassivo”.
Não é de surpreender que cada vez mais pessoas estejam se sentindo tranquilas quanto a consumir produtos animais. Afinal de contas, os “especialistas” estão lhes assegurando que o sofrimento está diminuindo e elas podem comprar carne “feliz”, ovos de aves “criadas soltas”, etc. Esses produtos vêm até com selos de aprovação dados pelas organizações de defesa animal. O movimento de bem-estar animal está na verdade incentivando o consumo “compassivo” de produtos animais.
As reformas do bem-estar animal fazem muito pouco para aumentar a proteção dada aos interesses dos animais por causa do fator econômico envolvido na equação: os animais são propriedade. Eles são coisas que não têm valor intrínseco ou moral. Isso significa que os padrões de bem-estar, seja para animais usados para comida, experimentação, ou qualquer outro propósito, serão baixos e ligados ao nível de bem-estar necessário a fim de explorar o animal de um modo economicamente eficiente para aquele uso específico. Simplificando: geralmente protegemos os interesses dos animais apenas dentro da medida em obtemos um benefício econômico fazendo isso. O conceito de sofrimento “desnecessário” é entendido como o nível de sofrimento que vai frustrar aquele uso específico do animal. E isso pode ser muitíssimo sofrimento.
Mas a posição do bem-estar animal – de que é o sofrimento dos animais, e não o fato em si de os matarmos, que suscita um problema moral – toma como certa uma questão muito importante: supõe que como as mentes dos animais são diferentes das mentes humanas, os animais, diferentemente dos humanos, não têm o tipo de autoconsciência que se traduz em um interesse em continuar vivendo. A posição do bem-estar necessariamente supõe que a vida animal tem menos valor moral do que a vida humana. E os bem-estaristas concordam explicitamente com isso, conforme está claro em meu livro The Animal Rights Debate: Abolition or Regulation?
Um dos pontos centrais do meu trabalho tem sido desafiar essa suposição bem-estarista e argumentar que a única posição não especista que devemos assumir é que qualquer ser senciente – qualquer ser perceptivamente consciente e que tenha estados subjetivos de consciência – tem interesse em continuar vivendo. Qualquer outra posição dá uma preferência arbitrária à cognição humana. É especista afirmar que a vida animal tem menos valor do que a vida humana. Isso não significa necessariamente que devemos tratar os não humanos do mesmo modo que tratamos os humanos, em todas as esferas. Mas significa que, para a questão de ser tratado exclusivamente como recurso alheio, todos os seres sencientes são iguais e não podemos justificar o fato de tratar como recurso qualquer ser senciente que seja.
Se os animais tiverem interesse em continuar a viver, como eu afirmo pelo simples fato de eles serem sencientes, e se esse interesse importar moralmente, como eu argumento, então só há uma conclusão plausível: qualquer uso de animais – por mais “humanitário” que seja – é injusto.
Se você não for vegano(a), por favor considere tornar-se vegano(a). É fácil ser vegano(a); é melhor para a sua saúde e o planeta; e o mais importante é que é a coisa moralmente certa a fazer.
E por favor lembre-se: as reformas do bem-estar fazem pouco, se é que fazem alguma coisa, para reduzir o sofrimento animal. Mas, em todo caso, o ponto importante é que o veganismo não é apenas uma questão de reduzir sofrimento; é uma questão de justiça moral fundamental. É o que devemos àqueles que, como nós, valorizam suas vidas e querem continuar a viver.
Gary L. Francione
Professor, Rutgers University
© 2011 Gary L. Francione
Tradução: Regina Rheda
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3.    Oito animais

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Tem fé (no bem-estar animal)?

Postado por Gary L. Francione em seu blog em 2 de outubro de 2011


Eu rejeito as reformas do bem-estar animal e as campanhas de um só tema, não apenas porque elas são incoerentes com as reivindicações de justiça que devemos estar fazendo se realmente acreditamos que a exploração animal é uma coisa errada, como também porque essas abordagens não podem funcionar em termos práticos. Os animais são propriedade e custa dinheiro proteger seus interesses; portanto, o nível de proteção dado a esses interesses sempre será baixo e, mesmo nas melhores circunstâncias, os animais ainda serão tratados de um modo que constituiria tortura se fosse aplicado a seres humanos.
Ao endossar as reformas bem-estaristas que supostamente tornam a exploração mais “compassiva”, ou as campanhas de um só tema que sugerem, falsamente, que há uma distinção moral coerente entre a carne e o laticínio, ou entre a pele e a lã, ou entre o bife e o patê de foie gras, nós traímos o princípio de justiça que diz que todos os seres sencientes são iguais para o propósito de não ser usados exclusivamente como recursos dos humanos. E, no nível prático, não fazemos nada além de tornar as pessoas mais tranquilas quanto à exploração animal.
Eu sustento que aqueles que acreditam que os animais são membros da comunidade moral deveriam, em vez disso, deixar claro que o veganismo, definido como não comer, não vestir e não usar animais, é a base moral inegociável e inequívoca, e deveriam investir seu trabalho e seus recursos na educação vegana de base que pode tomar inúmeras formas criativas, mas nunca deve envolver violência.
Meus críticos argumentam que minha posição quanto à necessidade da defesa vegana criativa e não violenta requer uma espécie de fé em que essa abordagem vai funcionar.
Considero essa crítica uma ironia pois, se é que alguma posição requer fé (definida como uma crença mantida contra toda evidência empírica existente), essa posição é a de que as reformas do bem-estar e as campanhas de um só tema darão em alguma coisa que não seja mais exploração animal.
Bem-estar animal: por quê?
Por que alguém pode acreditar que as reformas do bem-estar levarão à abolição? Se olharmos a história das reformas do bem-estar animal, veremos que a maioria se trata de reformas menores, a maioria nem sequer se cumpre, e a maioria na verdade aumenta a eficiência produtiva e beneficia economicamente os produtores. Há 200 anos que temos o paradigma do bem-estar animal e estamos explorando mais animais agora, e de maneiras mais horríveis, do que em qualquer outra época da história humana.
Por que alguém pode acreditar que promover a exploração “feliz” levará à abolição da exploração? Use o bom senso. A exploração “feliz” não levará a nada, exceto a um público que se sente melhor quanto a determinadas formas de exploração animal. Se esse não fosse o caso, as indústrias de exploração animal, em parceria com as grandes corporações do bem-estar animal, não estariam investindo todos os recursos que estão investindo em campanhas pela exploração “feliz” e selos de certificação “humanitária”.
Por que alguém pode acreditar que continuando a reforçar e consolidar o paradigma que trata os animais como propriedade, eventualmente aboliremos sua exploração?
Por que alguém pode acreditar que as campanhas de um só tema levarão à abolição da exploração? Dê uma olhada nas campanhas de um só tema que já duram há muito tempo, como a campanha contra a pele. Ela vem sendo feita há décadas e a indústria da pele está mais forte que nunca. Por quê? Porque não existe um princípio moral que possa servir para distinguir a pele da lã ou do couro, ou para distinguir comer animais de vestir roupas feitas de animais. Enquanto as pessoas não entenderem e não aceitarem o princípio moral geral, elas não conseguirão enxergar o problema dos usos específicos. E dizer, como muitos defensores dos animais dizem, que a pele representa um uso gratuito de animais, não é resposta. Comer animais também é um uso gratuito de animais. Nós os comemos porque eles têm um sabor gostoso. E o prazer do paladar não é uma justificativa melhor do que a moda.
Conforme já escrevi em outros lugares, os apoiadores das reformas do bem-estar nunca tratam dessas questões; eles simplesmente declaram que qualquer crítica é “divisionista” ou que qualquer alternativa é “idealista demais”. Em outras palavras, eles não têm nada a dizer.
O veganismo como base moral: por que não?
O apelo da defesa vegana criativa e não violenta é que ela desafia as pessoas a aplicarem um princípio moral que a maioria já aceita e diz que considera importante: que é moralmente errado infligir sofrimento e morte aos animais a menos que seja necessário, e o prazer, a diversão e a conveniência não podem ser suficientes para demonstrar necessidade. Quando as pessoas são confrontadas com o argumento de que criticar Michael Vick por causa da rinha de cães não faz sentido se estamos comendo animais ou produtos de origem animal, ou com a semelhança entre os animais que elas amam e os que elas comem ou vestem, pode ser que elas todas não virem veganas imediatamente, mas pelo menos conseguimos fazê-las começar a pensar sobre a questão geral do uso de animais em termos morais. E dentro da medida em que esse argumento repercute – e vai repercutir para muita gente – elas começarão a avaliar as questões da ética animal de uma maneira diferente.
Se, como eu sustento, não podemos justificar o uso de animais, por mais “humanitário” que seja, então temos de ser claros quanto a isso. Devemos ser claros quanto ao fato de que não podemos justificar comer, vestir ou usar animais. Ponto final. Se as pessoas preocupadas com a questão ainda não estiverem dispostas a desistir de usar animais e virar veganas, elas podem dar os passos graduais que quiserem. Mas esses passos graduais nunca devem ser caracterizados como normativamente desejáveis, se de fato acreditarmos que o uso de animais é injusto. Assim como nunca diríamos que o sexismo ou o racismo “humanitário” ou “feliz” é aceitável, nunca deveríamos caracterizar como moralmente aceitável a carne ou o laticínio ou qualquer outro produto animal “humanitário” ou “feliz”.
Finalmente, se promover o veganismo como base moral é uma questão de “pureza” moral, então promover a justiça, quando se trata de seres humanos, também é. Certas pessoas nos dizem que mesmo se virarmos veganos não poderemos evitar causar prejuízos ao não humanos. É verdade. Viver no mundo e praticar qualquer tipo de ação tem, necessariamente, consequências adversas para outros seres, humanos e não humanos. Devemos, é claro, nos empenhar em causar o menor dano possível a todos os seres sencientes. Mas o fato de não podermos evitar todos os danos não significa que não devamos, pelo menos, cessar todo dano intencional que infligimos aos não humanos sencientes, assim como o fato de não podermos eliminar toda a violência no mundo não significa que seja moralmente aceitável assassinarmos outros humanos.
Se é que algum dia abandonaremos o paradigma da propriedade, precisamos conseguir que as pessoas reconheçam que o uso de animais, por mais “humanitário” que seja, não pode ser justificado moralmente. Estou confiante no fato de que a defesa vegana criativa e não violenta é não apenas coerente com a exigência de justiça que, a meu ver, está implicada na posição dos direitos animais, como também é o melhor modo de atingir o objetivo de sair do paradigma da propriedade em direção à noção de que os animais são pessoas morais.
Todos os defensores que estão engajados na educação vegana criativa e não violenta contam que os resultados são surpreendentes; que as pessoas reagem, e reagem positivamente.
E estou certo de que qualquer crença de que as reformas do bem-estar, as campanhas de um só tema, a exploração “feliz”, etc. darão em algo que não seja mais tranquilidade quanto à exploração animal requer um forma particularmente cega de fé.
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Se você não for vegano(a), por favor considere tornar-se vegano(a). É fácil ser vegano; é melhor para a sua saúde e o planeta; e o mais importante é que é a coisa moralmente certa a fazer.
Se você for vegano(a), eduque todo mundo com que entrar em contato, de um modo criativo e não violento, sobre o veganismo. Se realmente considerarmos os animais como membros da comunidade moral; se realmente acreditarmos que não podemos justificar a morte e o sofrimento desnecessários, então não podemos justificar bilhões de mortes de animais com base no prazer do nosso paladar.
E lembrem-se, por favor: o veganismo não é apenas uma questão de reduzir o sofrimento; é uma questão de justiça moral fundamental. É o que devemos àqueles que, como nós, valorizam suas vidas e querem continuar a viver.
Gary L. Francione
© 2011 Gary L. Francione
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Tradução: Regina Rheda

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Uma nota sobre a inteligência semelhante à humana e o valor moral

Postado por Gary L. Francione em seu blog em 2 de outubro de 2011


Com frequência vemos notícias de que os cientistas determinaram que os animais não humanos têm certas características cognitivas que associamos à inteligência humana. A implicação disso é que se os animais não humanos têm uma inteligência parecida com a dos humanos, então eles têm mais valor moral; quanto mais “inteligentes” eles forem em termos humanos, mais valiosos moralmente eles são.
Essa abordagem é problemática por várias razões:
Primeiro, não há absolutamente nenhuma relação lógica entre a posse de inteligência semelhante à humana e a moralidade de usar animais como recursos. A posse de inteligência semelhante à humana pode indicar que certos animais têm interesses que os outros animais talvez não tenham. Os grandes símios não humanos, que realmente possuem uma inteligência semelhante à humana sob muitos aspectos, podem ter interesses que cães ou peixes não têm. Mas os grandes símios não humanos, os cães e os peixes têm, todos eles, interesse em não ser tratados como recursos, simplesmente porque são sencientes, ou têm consciência subjetiva. Todos os seres sencientes têm interesse em não sofrer e em continuar a viver, e esses interesses são necessariamente frustrados se eles são tratados como recursos dos humanos.
Proclamamos que a inteligência humana é moralmente valiosa per se porque somos humanos. Se fôssemos pássaros, proclamaríamos que a habilidade de voar é moralmente valiosa per se. Se fôssemos peixes, proclamaríamos que a habilidade de viver debaixo d’água é moralmente valiosa per se. Mas, independente das nossas proclamações obviamente interesseiras, não há nada de moralmente valioso per se na inteligência humana.
Segundo, se alegamos que a inteligência semelhante à humana é moralmente relevante, então ficamos necessariamente com a ideia de que os humanos com mais inteligência são mais valiosos, moralmente, do que os humanos com menos inteligência. É verdade: podemos não tratar todos os humanos da mesma forma. Pagamos mais a um neurocirurgião do que a um faxineiro porque valorizamos mais a perícia do neurocirurgião. Mas, mesmo acreditando que essa diferença salarial seja legítima, será que diríamos que o faxineiro vale menos do que o cirurgião para o propósito de decidir quem deveria ser usado como doador forçado de órgãos, ou como participante involuntário de um experimento doloroso? Claro que não. Para o propósito de ser usado exclusivamente como recurso dos outros, ambos são iguais.
E a menos que queiramos ser especistas, devemos concluir que todos os sencientes – humanos ou não humanos – são iguais para o propósito de não ser tratados como recursos.
Terceiro, o jogo dos “inteligentes” é um jogo que os animais não humanos nunca podem ganhar. Há décadas que sabemos que os grandes símios não humanos têm uma inteligência parecida com a humana, o que não deveria surpreender, dada a semelhança genética entre os humanos e os grandes símios não humanos. Provavelmente nenhum outro animal não humano jamais exibirá maior grau de inteligência parecida com a humana. Mesmo assim, continuamos a explorar os grandes símios não humanos (e muitos outros primatas não humanos) de tudo quando é maneira.
O jogo dos “inteligentes” não passa disso – um jogo. É mais uma razão para não darmos valor moral aos animais hoje, preferindo fazer mais pesquisas tolas (e que os prejudicam) para determinar se eles podem resolver quebra-cabeças matemáticos humanos e realizar outras tarefas sem nenhuma relevância moral.
Nós já sabemos tudo que precisamos saber para concluir que não podemos justificar comer ou usar animais – que, como nós, os animais são sencientes. Eles são subjetivamente conscientes. Eles têm interesse em não sofrer e em continuar a viver.
Nada mais é necessário.
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Se você não for vegano(a), por favor considere tornar-se vegano(a). É fácil fazer isso; é melhor para a sua saúde e o planeta; e o mais importante é que é a coisa moralmente certa a fazer.
Se você for vegano(a), eduque todo mundo com que entrar em contato, de um modo criativo e não violento, sobre o veganismo.
Gary L. Francione
© 2011 Gary L. Francione
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Tradução: Regina Rheda

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Cuidado e controle de animais: o triste fracasso do sistema de abrigos municipais de Nova York

Postado por Gary L. Francione em seu blog em 19 de maio de 2011

Caros(as) colegas:
O Animal Care and Control of New York City (Cuidado e Controle de Animais da Cidade de Nova York, ou ACC), que opera o sistema municipal de abrigos para animais em Nova York desde 1995, é uma instituição infestada de problemas. Há chocantes alegações de negligência e abuso de animais, incluindo a recente informação de que o ACC matou oito filhotes de cachorro que poderiam ter sido salvos e encontrado lares graças a grupos de resgate.
O programa de avaliação comportamental, que inclui tirar a comida ou um brinquedo de um cachorro faminto ou estressado, ou ver como um cachorro estressado reage ao ser confrontado por outro cachorro, suscita significativas dúvidas quanto a se os potenciais adotantes estão obtendo um quadro preciso de como os cães vão se comportar quando adotados.
Uma lista de cães e gatos que serão mortos entre as 5 e as 6 hs da tarde é fornecida pelo ACC na véspera do dia da matança desses animais. O ACC fecha às 8 hs da noite e reabre às 8 hs da manhã seguinte, mas é difícil, se não impossível, comunicar-se por telefone. A matança começa em torno das 10 ou 11 hs. Não dá tempo de os grupos de resgate e os adotantes retirarem os animais dos três abrigos operados pelo ACC. Todas as noites há uma tentativa frenética de salvar vidas e, embora muitos animais sejam salvos pelos grupos de resgate apesar da política restritiva e irracional do ACC, muitos animais sadios são mortos.
Uma notícia de 16 de maio de 2011 dá uma preocupante ideia do que acontece no ACC. Emily Tanen trabalhava para o ACC num programa que supostamente atua como uma ligação entre o ACC e os grupos de resgate:
Emily se responsabilizou por fotografar todos os cachorros no abrigo – ela possuía um dom especial para captar a beleza interior de seus sujeitos.
Graças às suas fotos tocantes, comoventes, foram salvos muitos cães que, se não fosse isso, seriam vistos como “de difícil colocação” ou mesmo “não adotáveis”.
Mas, aparentemente, suas lindas fotos de cães sem lar incluíam algo que “o poder” do Cuidado e Controle de Animais de Nova York não queria – fotos de cachorros recebendo contato humano.
Suas maravilhosas imagens faziam, frequentemente, a diferença entre a vida e a morte – para os cães que não têm a habilidade de falar em defesa própria, as comoventes fotos eram com frequência a chave para um resgate que salvaria suas vidas...
Imagens que tocavam o coração – imagens que conseguiam dar a sensação, em quem as via, de que uma vida podia ser literalmente salva.
Mas agora ela saiu abrigo – uma poderosa defensora dos animais que não têm voz não está mais ali para ajudar.
Fotos apagadas, lúgubres, sem emoção são tudo que vai restar.
Eu compreendo que administrar um abrigo de animais em um lugar como a cidade de Nova York é difícil para as pessoas com as melhores intenções. Mas está ficando cada vez mais visível que o ACC tem algumas práticas e diretrizes que, ao que parece, são, na melhor das hipóteses, contraproducentes. E mesmo se apenas uma pequena parte das alegações de negligência no ACC for verdade, então o ACC é um inferno para os animais que têm a infelicidade de estar lá.
Matar um animal sadio nunca é moralmente justificável, e um animal sadio morto no ACC, ou em qualquer outro abrigo, já é demasiado. O ACC não está apenas matando centenas de animais por mês, mas também parece ter pressa de fazer isso, e de fazer tudo que puder para frustrar os esforços dos grupos de resgate e de pessoas dedicadas (como Emily Tanen) de salvar esses animais. Além disso, o ACC dá um trabalho terrível aos grupos de resgate, forçando-os a uma frenética corrida diária para salvar qualquer animal que puderem.
Já está mais do que na hora de haver um controle melhor do Cuidado e Controle de Animais de Nova York. E está na hora da cidade de Nova York mudar para uma situação progressista em que os abrigos não matem animais. Isso pode ser alcançado se os nova-iorquinos tiverem a vontade política de fazer isso acontecer.
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Se você não for vegano(a), torne-se vegano(a). É fácil; é melhor para a sua saúde e o planeta. Mas o mais importante é que é a coisa moralmente certa a fazer. Se você for vegano(a), eduque todo mundo que puder sobre o veganismo.
E se tiver condições, por favor adote um animal sem lar, ou cuide de um até que alguém o adote. Há tantos que precisam da sua ajuda. Se você não tiver espaço ou recursos para um cachorro, um gato ou um coelho, há muitos animais menores, como camundongos, ratos, tartarugas e peixes, que também precisam de lares. Se você possuir terra, há muitos animais de grande porte e de fazenda precisando de lares também.
Cuidar de animais não humanos em situação individual é uma parte importante dos direitos animais. E se você estiver envolvido com resgate de animais, lembre-se de que não há diferença entre o animal que você salva e o animal que você come.
Se você tiver um animal de companhia, por favor certifique-se de que ele não se reproduza. Não precisamos de mais animais domesticados vindo ao mundo!
Gary L. Francione
© 2011 Gary L. Francione
Adendo – 23 de maio:
Micah Zellner, deputado estadual de Nova York, propôs uma legislação que ampliaria a capacidade dos grupos de resgate para tirarem animais do ACC. Eis uma notícia sobre a proposta do Sr. Zellner.
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Tradução: Regina Rheda